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Cultivo de cacau no oeste da Bahia tem produtividade 211% maior que a do Pará

De Vitória da Conquista

Conhecido nacionalmente pela alta produção de soja, milho e algodão, o oeste da Bahia começa a se destacar na produção de cacau, tradicionalmente plantado no sul do estado, e com produtividade 211% superior a do estado do Pará, maior produtor nacional.

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Segundo informações da Secretaria de Agricultura da Bahia (Seagri), uma área de 31 hectares plantada com cacau irrigado em Riachão das Neves apresentou produtividade de quase 3.000 quilos de amêndoa por hectare, o que supera em muito as produtividades da Bahia (278 kg/ha), do Brasil (465 kg/ha) e do Pará (964 kg/ha).

De acordo com a Seagri, as áreas plantadas estão em fase experimental e mostram excelentes resultados, após sete anos de projeto. Estão sendo testadas variedades com genética diversa que produzem até dez vezes mais do que em regiões pioneiras, como o sul do estado.

Em Riachão das Neves, o produtor Antelmo Farias é o precursor desse experimento e analisa o cenário como promissor. É dele os 31 hectares de cacau, e por conta dos bons resultados a intenção é aumentar gradativamente a área.

Farias já comercializa o nibs nas prateleiras de supermercados locais. A obtenção dos subprodutos da amêndoa é feita artesanalmente, porém, com os resultados atuais, é possível observar potencial para investimentos em novas tecnologias.

Nibs de cacau do oeste da Bahia (Divulgação)

Devido a sua experiência com a cultura cacaueira, Antelmo Farias aposta em parcerias para incentivar o pequeno produtor da região.

“Em um hectare de cacau é possível obter uma renda líquida de R$ 1,5 mil por mês, depois de três anos de implantação da cultura. O cacaueiro, diferente de outras espécies agrícolas, é plantado junto com outras culturas de ciclos mais curtos, o que ajuda no retorno do investimento, fazendo movimentar a cadeia produtiva na região”, disse.

A produção de cacau irrigado no município de Riachão das Neves, a 930 quilômetros de Salvador, está transformando a dinâmica no campo para pequenos produtores da região. As amêndoas abastecem os mercados da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Distrito Federal.

A alta produtividade na produção de cacau no oeste já desperta o interesse também de agências bancárias com vistas ao financiamento de crédito rural. Dois projetos de dez hectares já foram financiados pelo banco, relata Antelmo Farias, analisando que iniciativas semelhantes serão comuns.

“Além desses recursos privados disponíveis, nossa região receberá incentivo do governo estadual”, observa Farias.

Cacau produzido no sul da Bahia (Divulgação)

De acordo com o gerente da agência do Banco do Brasil em Riachão das Neves, Idelvan Silva, “os créditos para produção de cacau estão disponíveis para agricultores. Se o produtor se encaixar no perfil, ele receberá recursos para investir”.

Recentemente, o secretário de Agricultura da Bahia, Lucas Costa, visitou as áreas de produção e o local do viveiro onde se pretende produzir dois milhões de mudas enxertadas por ano.

“O viveiro irá dinamizar a produção de cacau na região, apoiando os agricultores em um sistema capaz de aumentar a produtividade e impulsionar ainda mais essa atividade”, destacou o secretário.

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One Comment

  1. Jairo Botelho da Silva Jairo Botelho da Silva 19 de fevereiro de 2021

    Parabéns a esse empreendedor que acredita na cultura e intensificou no manejo, em busca de resultados positivos. Que abra caminhos outras propriedades improdutivas no nosso estado e o Brasil

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